sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Inovação é pauta obrigatória

Este cenário de hipercompetição tem como resultados ciclos de inovação mais curtos. Se o telefone levou 74 anos para atingir 50 milhões de usuários, o Skype atingiu o mesmo número de pessoas em apenas 22 meses. “Os produtos se tornam obsoletos não porque ficaram velhos ou estragaram, mas porque deixaram de ser funcionais”.
O mundo da hipercompetição leva à commoditização dos produtos, redefine as barreiras competitivas e torna o caminho para o crescimento menos óbvio. “Quando isso acontece, a briga não é mais entre os mesmos produtos, mas entre as alternativas para gastar o dinheiro. Nunca foi tão bom ser consumidor, mas cada vez mais vai ser difícil criar vantagem competitiva. Hoje, esta vantagem produz menos resultados e dura menos tempo. Então, precisamos pensar em criá-la o tempo todo, não só mantê-la. É por isso que a inovação precisa estar em pauta.”
Como se manter no mercado
Com base em análises de diversas organizações, o professor constata que a grande maioria das empresas ainda não faz projetos de crescimento, mas, sim, continua voltada para aumento da produtividade, otimização de recursos e redução de custos. “As empresas que se mantiveram entre as maiores têm em comum a capacidade de antever mudanças, gerar sucessão em todos os níveis, passar por crises (resiliência) e continuar crescendo. Empresas longevas crescem de 2,5 a 3 vezes o PIB de seu setor.
Quando a empresa para de crescer, despenca e leva anos para se recuperar”
Entre os principais sinais de decadência de uma empresa estão o aumento do ciclo financeiro e do custo de venda, e, dos fatores que fazem as empresas perderem o crescimento, 70% são estratégicos, 17% organizacionais e 13% externos. “É preciso planejar o crescimento antes que seja necessário. Uma empresa pode parecer saudável por fora, mas por dentro já estar em declínio”, alerta.Entre os pontos de reflexão para se construir um real plano de crescimento estão: pessoas (remuneração, clima e sucessão), sistemas de informação para a tomada de decisões, estrutura de capital para financiar o crescimento, processos robustos, um bom modelo de governança e o que Lobão chama de “clientar”. “Precisamos saber como o cliente compra, usa, descarta e avalia o risco. As empresas, em geral, têm uma ênfase muito forte no produto e não veem proposta de valor no cliente.”

Durante a palestra, a plateia teve a oportunidade de fazer duas auto-avaliações, que levaram ao diagnóstico da atual situação de suas empresas e permitiram a análise de qual seria o melhor modelo de crescimento. Dois dos diagnósticos mais comuns são:
• Sitiado – quando a empresa está com desempenho abaixo de sua capacidade, ameaçada pela concorrência ou diante da decadência iminente, e por isso precisa ter uma estratégia de crescimento em adjacências, com movimento próximo ao core para resultados de curto prazo; • Inventando um Novo Futuro – mais comum em organizações iniciantes, em que os negócios ainda não dão lucros substanciais e o valor de mercado ainda não foi construído. Neste caso, é preciso maximizar o valor central e evitar o subdesenvolvimento satisfatório, que é a tentativa de fazer todas as unidades performarem bem e não explorar as que já têm musculatura para serem mais exigidas. Muitas vezes, é preciso maximizar o valor central, e crescer pode significar desinvestir, tirar recursos das unidades com menos capacidade de crescimento.
Quanto mais próxima a estratégia estiver do core, maior é a taxa de sucesso, mas, dependendo do sistema de negócio, isso não é possível. As novas iniciativas, então, precisam ser analisadas sob a luz destas cinco questões, que representam cinco passos:
1. Minha iniciativa de crescimento vai utilizar a mesma base de clientes ou base nova?
2. Vai usar o mesmo canal de distribuição ou precisa de um novo?
3. Os concorrentes são os mesmos ou são novos?

4. Vai utilizar os mesmos ativos ou construir novos?

5. Posso usar meus ativos intangíveis ou preciso de novos?

Superadas as questões estratégicas, surge outro ponto crucial de sucesso para os negócios: a execução. “Uma estratégia brilhante, um produto arrasador ou uma tecnologia revolucionária pode colocar a empresa no mapa competitivo, mas só uma sólida execução será capaz de mantê-la ali. É preciso também lembrar que fazer tudo para todos é mediocridade, o foco é a chave do sucesso.”
E boa execução não é sinônimo de satisfação, é sinônimo de superação. “Para cobrar mais, é preciso ter qualificadores, diferenciadores (que fazem com que o cliente escolha o produto, mas não pague nada a mais por ele) e atributos de valor (que fazem o cliente pagar mais. Precisamos substituir a satisfação pelo sucesso do cliente”, finaliza.

 Fonte: IT Business Forum.

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